Optimizar o Fim-de-semana e rever

Como manter o entusiasmo de chegar ao fim da semana e desejar a próxima

Alguma vez sentiste o entusiasmo de chegar o fim-de-semana e, quando a segunda-feira se aproxima, parece que todo o entusiasmo esvai-se num instante?

Photo by rawpixel on Unsplash

Foto por rawpixel em Unsplash.com

Classicamente, o fim-de-semana é um tempo de relaxamento e diversão. Mas os sinais dos tempos mostram como o trabalho começa, cada vez mais, a alterar a ideia que temos de fim-de-semana. Em vez de recuperarmos forças e a actividade cognitiva, a probabilidade de nos cansarmos ainda mais, aumenta sem sabermos bem porquê.

Por outro lado, quantas vezes não pensamos – ”como o tempo passa a correr…”– e, quando damos por nós, amanhã é já segunda-feira, custando entrar de novo na rotina de trabalho. Aliás, em vez de nos sentirmos recuperados e entusiasmados, acontece o contrário. Não sentes o desejo de viver uma experiência diferente e recompensadora?

A minha experiência é a da importância de optimizar o fim-de-semana e criar o hábito de fazer uma revisão semanal.

Optimizar o fim-de-semana

A optimização do fim-de-semana passa por recuperar o sentido do descanso, dar espaço para reflectir sobre o que realmente interessa na nossa vida e recuperar a energia gasta ao longo da semana de trabalho.

Descanso

O fim-de-semana é o tempo ideal para podermos descansar e recuperar da maior intensidade de actividades de trabalho vivida ao longo da semana. Um dos métodos que dificilmente podemos usar na semana de trabalho, e mais fácil no sábado e/ou domingo, é o coffee nap, ou napuccino.

Há uma ideia de que o café não é compatível com o sono, mas isso depende apenas de como misturamos a duas coisas. O efeito do café quando depois do intestino entra no sangue e chega ao cérebro é o de se encaixar nuns receptores que são, normalmente, ocupados por uma molécula, a adenosina. Quando acumulamos adenosina e os níveis ficam elevados, sentimo-nos cansados e recebemos o sinal para descansar. Ora, o café compete com a adenosina bloqueando esses receptores, despertando-nos.

Em relação à sesta, quando dormimos 20 minutos ou menos, não entramos em estados de sono mais profundos. E dormir é um modo natural de limpar no cérebro da adenosina acumulada. Portanto, imagina quando juntamos os dois efeitos. Ou seja, ao dormirmos uma sesta limpamos o cérebro da adenosina, logo, o café não tem tanta competição ao bloquear os receptores. Por outro lado, o trajecto dos intestinos até ao cérebro demora cerca de 20 minutos. Pelo que, depois da sesta, temos o impulso dado pelo café, aumentando significativamente a nossa capacidade de estar alerta. Isso pode ser importante para outras coisas que queiras fazer no fim-de-semana como o que vem a seguir.

Temas a reflectir

Não sendo para muitos um período de trabalho, o fim-de-semana (ou pelo menos num dos dois dias) é o tempo ideal para reflectirmos sobre os mais variados assuntos. Se o fizermos após uma coffee nap, melhor ainda. O acto de reflectir sobre algo que seja do nosso interesse, ou sobre o qual gostaríamos de aprender mais é essencial para aprofundar a ligação entre nós e o tema.

Reflectir sobre um tema pode ser uma simples leitura, ou escrever sobre algo, ou pensar. A ideia é a de que ao reflectir estimulamos o pensamento crítico sobre assuntos do nosso interesse num período em que não existe qualquer pressão de trabalho à qual temos de atender.

Recuperar a energia

Mais importante do que recuperar o tempo perdido em alguma coisa é recuperar a energia. O tempo só tem um sentido, mas a energia fluctua. E, enquanto muitas pessoas pensam que a sua capacidade produtiva está centrada na gestão que fazem do tempo que têm, por vezes, procuram realizar tarefas que exigem um elevado grau de concentração nos períodos em que os níveis de energia estão esgotados.

O modo como pretendemos recuperar a energia neste processo de optimização do fim-de-semana passa pelo modo como nos alimentamos, repousamos ou mesmo exercitamos.

Revisão Semanal

A revisão semanal é o método de nos mantermos ligados aos propósitos anuais e aos objectivos que traçamos a cada três ou quatro meses. Quando estabelecemos as 3 Grandes Tarefas da Semana temos em mente esses propósitos e objetivos. Assim, rever no final de cada semana o progresso das tarefas delineadas ao longo da semana é um momento tão importante quanto optimizar o nosso fim-de-semana.

Para essa revisão existem três tópicos que me parecem fundamentais, as maiores vitórias e dificuldades, e como melhorar.

Maiores Vitórias

Seguramente que muitas das tarefas a que nos propomos conseguimos realizar. É motivador quando celebramos esses momentos como vitórias. O facto de escrevermos quais a maiores vitórias contribui numa maior tomada de consciência daquilo que de positivo conseguimos realizar

Maiores Dificuldades

Por outro lado, pode ter havido algumas dificuldades em conseguir realizar algumas das tarefas planeadas. Reconhecer quais foram as maiores dificuldades é um modo de crescer as atitudes mentais humilde e resiliente. Humilde quando aceitamos o que não conseguimos atingir. Resiliente pela consciência de que podemos sempre melhorar.

Como melhorar

Daí a importância, na revisão semanal, de explicitar o que podemos melhorar. O sentido de realização não passa por conseguir atingir os nossos objectivos uma vez, mas num constante melhorar do modo como fazemos cada tarefa.

Podemos sempre melhorar um pouco de cada vez. Por exemplo, se o teu objectivo fosse criar um hábito de leitura e não conseguisses ler mais do que um minuto por dia. Se aumentares o tempo de leitura em 1% por dia, ao fim de um ano lerias 37 minutos seguidos. Este é um exemplo simples, e talvez pouco realista, mas ilustra bem como uma vida plena se faz com passos pequenos. Tão pequenos que dá-los seja irrecusável.

Ao longo do tempo, criando o hábito de optimizar o fim-de-semana e rever semanalmente o que nos propusemos fazer e o que conseguimos atingir, podemos acompanhar de perto o nosso percurso produtivo e estudarmo-nos. Seguramente que iremos aprender mais sobre nós do que pensaríamos à partida. A minha experiência é a de que somos capazes de fazer coisas grandes com passos pequenos, mais do que imaginamos.

Professor Universitário e Investigador do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra.