Encontrar o PORQUÊ

No início de um semestre, o primeiro slide que coloquei na primeira aula continha uma questão:
Porquê vir para a Universidade?

Porquê a universidade?

A grande maioria vem porque quer ser um profissional de sucesso; outros porque os pais os obrigaram; outros porque todos os amigos vão depois de terem terminado o 12ºano escolar, logo, vamos nós também; alguns porque querem mudar o mundo, mas esses são poucos.

Enquanto não souberes a razão de te levantares todas as manhãs durante um semestre para ouvir, pensar, escrever, e participar na discussão de temas complexos e exigentes, à primeira dificuldade, todo o desempenho pode ser afectado e o curso prolongado por chumbos consecutivos.

O grande feito de entrar para a Universidade não é entrar para o curso que se quer, mas descobrir a razão da escolha.

É essa razão que irá ajudar-te a ultrapassar todas as dificuldades. Quem sabe a razão da sua escolha pode sempre voltar a ela e encontrar a força para superar qualquer dificuldade. Assim, se estiveres a ler este artigo e te encontras na Universidade, faz uma coisa. Vai buscar um pequeno papel, pensa um pouco e escreve o teu PORQUÊ. Depois coloca-o num sítio visível onde costumas estudar, de modo a que nos períodos de maior desmotivação possas recordar essa razão.

Encontrar o PORQUÊ é encontrar aquilo que te inspira.

Sobreviver sem PORQUÊ

Posso partilhar-te que ao entrar para a Universidade o meu porquê de ter escolhido Engenharia Mecânica era muito fraco. Como ideal de vida sim, mas como escolha profissional não. Na altura namorava e pensava em casar, logo, – e aqui vem o meu fraco porquê – se fosse para Engenharia Mecânica teria facilidade em encontrar emprego para sustentar a família. – Duh… nobre, mas hoje pensando neste porquê percebo:

  • como me meti a fazer uma empresa de construção de páginas web a meio do curso,
  • como estive quase para mudar de curso,
  • como à conta disso chumbei um semestre,
  • como custava tanto fazer algumas disciplinas.

Antes de ir para a Universidade sonhava com a investigação científica, adorava astronomia, a física fascinava-se, fartava-me de ler livros de divulgação científica, ou Michael Crichton para alimentar os meus sonhos de mudar o mundo com a tecnologia, mas quando chegou o momento de escolher o curso e entrei, coloquei de lado o sonho e as dificuldades surgiram.

Redescobrir o PORQUÊ

Se te encontras nesta situação, eu compreendo-te. Já estive nela. O desafio está em como dar a volta. Pois bem, ao fim de 4 anos de curso encontrei o meu porquê. Claro, depois de muitas peripécias pessoais, pois essas afectam profundamente as nossas escolhas profissionais como pude experimentar.

Um dia um professor falou durante uma aula que havia um trabalho de investigação para fazer e quem quisesse participar viesse ter com ele. Eu achei que haveria muita gente a querer e não teria hipótese, mas sabem… não é bem assim. Não há muita gente que queira fazer investigação. E ao contrário do que pensava, investigar implica ser mais trabalhador, do que ser um génio. Eu fui ter com esse professor, e assim comecei a realizar o meu sonho, o meu porquê: fazer investigação científica.

A partir daí seguiu-se o doutoramento, pós-doutoramento e agora entrei na carreira académica como Professor na Universidade de Coimbra em Portugal.

 

O “porquê” desta plataforma

Passado este tempo, penso como foi importante ter encontrado a razão e esse é o meu objectivo com esta plataforma.

Ajudar-te a encontrar o PORQUÊ.
Partilhar as ferramentas para o concretizar.
Explorar métodos que melhoram a tua produtividade académica e garantir o teu sucesso.

Se conseguir ajudar-te na produtividade académica, estou certo que serão ensinamentos que servirão para o resto da tua vida profissional e isso dar-te-á um sentido de realização que permitirá atingires a meta mais importante de todas: ser feliz a fazer o que se faz.

Desafio-te a partilhares o teu PORQUÊ nos comentários para inspirares outros também.

Professor Universitário e Investigador do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra.

Tome nota por favor: eu reservo o direito de apagar comentários que sejam ofensivos ou fora do tópico.