Ponto de viragem

Quando existem transições que fazem toda a diferença

Se aprender produz um efeito positivo sobre a nossa vida. Aprender ao longo da vida significa tomar a opção de melhorar sempre. O que nos falta para chegar a esse ponto? Pontos de viragem.

Aprender e educar

Por vezes temos dificuldade em entender a aprendizagem como algo que podemos fazer todos os dias porque a confundimos com educação. Enquanto que a educação é a orientação que recebemos a partir do exterior (pais, professores, sistema, contexto social, etc.), a aprendizagem é algo que fazemos por nós próprios porque nos dá gozo.

Educar é seguir um GPS. Metemos o destino final e vamos para onde ele nos manda.

Aprender é seguir um mapa com uma bússola. Vemos onde estamos e para onde queremos ir e usamos a bússola para nos orientarmos, mas quem traça o caminho a seguir somos nós.

Lembro-me de uma experiência nos escuteiros disto mesmo, apesar de não haver na altura GPS. Eu era bom a interpretar mapas tendo as coordenadas e a minha equipa partiu ao mesmo tempo que outra que não prestava tanta atenção a essa parte. Acontece que eles chegaram primeiro do que nós e perguntei a um amigo que tinha na outra equipa como tinham feito. Ele disse – “Então, vi onde estávamos e para onde queríamos ir. Como era sempre a norte, peguei na bússola e segui caminho.”

Qual, então, o ponto de viragem que nos pode levar da postura de nos deixarmos educar para passarmos a aprender ao longo da vida? É o mesmo ponto de viragem que eu precisava para poder levar a minha equipa pelo melhor caminho. Li recentemente um artigo de Jeff Cobb interessante sobre esse aspecto. Imagina que te pedia um pensamento sobre esta imagem.

Seguramente que pensarias nos diversos detalhes, mas por vezes há que nos afastarmos dos pormenores para ter a visão do todo e perceber que há muito mais do que pensaríamos à partida.

A mudança de perspectiva é um ponto de viragem que funciona como norte para nos guiar no desenvolvimento da nossa capacidade de aprender.

Consciência daquilo que somos

Embora possamos alargar a perspectiva que temos daquilo que aprender pode significar para nós, e do impacte que pode ter na nossa vida, não chega. Precisamos de tomar maior consciência das oportunidades que temos para aprender diante de nós, todos os dias.

Uma atitude mental curiosa é importante nessa tomada de consciência, mas sem uma atitude mental atenta, muitas dessas oportunidades podem passar ao lado sem nos darmos conta.

Nesses casos, prestar mais atenção passa por cultivar momentos de pausa. Por vezes, são esses os pontos de viragem que nos levam a reflectir e a aproveitar cada momento da vida como uma oportunidade de aprender algo de novo sobre nós, os outros, a sociedade e o mundo à nossa volta.

Abertura ao que podemos ser

Se conseguimos aproveitar melhor as oportunidades que temos para aprender coisas novas, é impossível não sermos transformados por aquilo que aprendemos. E se passamos a ser diferentes, também o modo de aprender evolui e passa a ser diferente, tornando-se num ciclo que traduz a nossa evolução como pessoas ao longo da vida.

Apesar da importância de estarmos conscientes daquilo que somos, importa também aquilo que podemos ser quando nos apercebemos do poder transformativo de aprender. Algo que implica uma abertura à possibilidade de estarmos em permanente evolução.

Não é fácil porque usamos a idade ou a imaturidade como razões para cingir a perspectiva da aprendizagem à educação. Ou seja, ao que alguém nos disse que devíamos saber e como fazer. Daí que muitas pessoas mais novas resistam a ter que aprender ao longo da vida, ou pessoas seniores tenham dificuldade em aprender coisas novas, como as tecnológicas.

O ponto de viragem está em re-enquadrar o que entendemos por aprender e tomar maior consciência dos efeitos positivos que isso traz à nossa saúde física e mental.

Professor Universitário e Investigador do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra.