Como superar a dificuldade de resolver problemas novos?

Quatro aspectos fundamentais

Na vida académica, resolver problemas novos significa estar a fazer uma Frequência/Teste ou Exame. Ultimamente fiz esta experiência com os meus alunos e diante das questões que me dirigiam durante a prova fiquei a pensar. Parecem-me existir quatro aspectos que, se tiverem em conta, não só melhoram o desempenho na resolução de problemas novos, como os ajudará a enfrentar situações novas na vida profissional.

problemas novos

Ilustração de Jim Madsen

#1. Experiência pessoal

Quando estamos a resolver um problema pela primeira vez, confrontamos sempre cada situação com a nossa experiência pessoal. Por exemplo, se me falam da ignição de um toro de madeira e preciso de saber onde essa se dá, penso numa lareira em casa, ou numa fogueira e, por experiência pessoal, sei que é à superfície, nunca no interior.

A intuição sobre o caminho a seguir que encontramos em tantas decisões com que somos confrontados, provém do acumular de experiências que temos. Se isto é válido para quem trabalha, mais ainda para quem é avaliado num exame.

#2. Visualização

Recentemente, o Cristiano Ronaldo fez um golo com um pontapé de bicicleta que foi histórico. A velocidade de rotação da sua perna era equivalente às pás de um helicóptero. Apesar de ter treinado para este tipo de pontapés, não tenho dúvidas que na sua cabeça, aquele pontapé tinha sido dado inúmeras vezes. É a técnica de visualização que muitos atletas usam.

Outro exemplo seria o Michael Phelps. Antes de começar a prova Phelps tem sempre o mesmo ritual. Coloca os headphones, senta-se e o que faz? Li algures que ele visualiza-se a nadar. Ou seja, quando entra na água, apenas tem de executar o que imaginou.

Em exames não é diferente. A capacidade de visualização também funciona nestes casos e ajuda-te muito na fase de compreensão do problema.

#3. Prática deliberada

Já referi as vantagens deste aspecto num post anterior. De facto, não chega, muitas vezes, ter experiência e visualizar. A prática deliberada é o que permite Cristiano Ronaldo marcar o golo com aquele pontapé, ou Phelps ser um campeão olímpico ímpar. Outro exemplo são os pilotos de aviação. Por mais experiência que tenham, não podem voar se não tiverem um número mínimo de horas de voo, ou seja, de prática deliberada.

Ao resolvermos exercícios, em aula ou no estudo, a prática deliberada permite a passagem de conhecimento retido na memória de curta-duração para a de longa duração.

#4. Focar

Por fim, a capacidade de concentração. Por vezes sabemos o caminho a seguir na resolução de um problema, mas distraímo-nos e acabamos por fazer o que não era suposto. Poderíamos pensar que na vida profissional temos sempre hipótese de corrigir os erros proveniente das nossas distracções, mas nem sempre. Um erro de um piloto de aviação pode custar a vida de muitas pessoas. Um erro na utilização de uma máquina de produção pode danificar o processo, a máquina, e obrigar a empresa a pagar uma factura elevada.

Desenvolver a capacidade de concentração, de estar atento e focado naquilo que devemos fazer, é fundamental para evitar distracções e um passo seguro para garantir o sucesso em tudo o que fazemos.


Questão: qual destes aspectos sentes que poderias melhorar?

Professor Universitário e Investigador do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra.